Um menino, de apenas sete anos de idade, deu uma palestra, nesta 6ª feira (8), no curso de pedagogia da Universidade Federal Fluminense (UFF). Nascido na comunidade do Complexo da Maré, ele é considerado por especialistas bem acima da média. A criança já tem até certificado de uma das instituições de ensino mais importantes do mundo.

Com uma mente que vai muito além da idade, Álvaro Siqueira de Melo é um craque no mundo virtual, e já criou até um jogo, em que ele é o protagonista. Para vencer, o jogador precisa evitar os tiros perto de uma escola — um problema recorrente na rotina do menino.

“Ganhar o jogo é só clicar nas balinhas de tiro, não precisa nem clicar, só passar o mouse em cima e também nos brinquedos e fazer o Super Alvinho andar”, conta o garoto.

Álvaro mora no complexo de favelas da Maré, no zona norte do Rio, dominada por milicianos e traficantes, a região é uma das mais violentas da cidade. Apesar das dificuldades, Álvaro foi avaliado como uma criança com inteligência acima do normal. Ele mostra com orgulho o diploma do curso on-line, em inglês, que fez na universidade norte-americana de Harvard, uma das mais renomadas do mundo.

Apesar de ainda ser muito jovem, Álvaro já tem planos ousados para o futuro. Ele pretende continuar estudando e projetar robôs para serem usados nas lavouras brasileiras.

“Eu falei desde pequeno que queria construir um robô e ainda não desisti. Tipo, eles trabalharem para regar as flores, também as árvores de frutos”, conta.

A mãe conta que o menino demonstrou muito cedo o interesse em se desenvolver, e o maior desafio é encontrar escolas preparadas para receber alunos como ele.

“Ele se apaixonou pela vida no campo quando fomos visitar a minha família em Minas, se encantou pela vida no campo e quer unir a paixão que ele tem pelos robôs, pela programação, com o agro”, diz a mãe, Priscila de Melo.

Na palestra o garoto recebeu os aplausos dos adultos, que já reconhecem um futuro de sucesso para o Super Alvinho.

“E para encerrar, eu vou dizer a fala do Darcy Ribeiro: a crise da educação no Brasil não é uma crise, é um projeto”, afirmou o garoto de sete anos.

 

Por Léo Sant’anna/SBT News
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