A COP28 entrou na segunda semana com expectativa de negociações políticas que cheguem a acordos climáticos importantes. A Amazônia foi tema de discussão nesta 6ª feira (8). Um estudo mostrou novos dados sobre o desmatamento da região.

Em 12 meses, a Amazônia perdeu o equivalente a 100 mil campos de futebol para o desmatamento ilegal. Os dados foram divulgados pela rede colaborativa Simex, em Dubai.

Segundo o levantamento, de agosto de 2021 a julho de 2022, foram explorados 396 mil hectares da região amazônica para extração de madeira. Em 106.477 hectares, houve exploração ilegal.

O Pará ocupa o primeiro lugar no ranking dos estados que mais desmataram clandestinamente (46%). Mato Grosso (31%) aparece em segundo lugar, seguido de Roraima (29%), Rondônia (19%), Amazonas (9%) e Acre (2%). O estudo também mostra que 19,5% das áreas de extração ilegal estão em terras indígenas e 6,1% em unidades de conservação.

“Essas áreas representam um alto valor para conservação, para sociobiodiversidade e para as populações que vivem nessas áreas. A exploração de madeira acarreta na degradação e também afeta diretamente a vida desses povos tradicionais. É importante a gente estar divulgando esse estudo nessa semana aqui na COP para alertar a comunidade internacional dos compradores de madeira”, afirma o pesquisador Vinicius Silgueiro, do Instituto Centro Vida (ICV).

De acordo Stela Herschmann, especialista em política climática do Observatório do Clima, e que participa da COP28, não houve avanço em negociações técnicas na primeira semana da conferência. A expectativa agora é que debates entre representantes dos governos levem a acordos importantes.

“A principal decisão que eles têm que tomar é se a gente vai ser claro de como o mundo vai enfrentar a necessária eliminação dos combustíveis fósseis. Acho que se a gente tiver um acordo claro e forte nessa COP, a gente vai poder dizer que essa COP foi um sucesso”, diz Stela.

 

Por Andrey Araújo/SBT News
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