Com fama de “xerifão”, o ministro Alexandre de Moraes assume hoje a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) justamente no início daquela que será a campanha eleitoral mais tensa da história recente do país. Além da agressividade com que a retórica do ódio bolsonarista contaminou a política, os adeptos de Jair Bolsonaro devem radicalizar ainda mais no jogo sujo que praticaram há quatro anos, quando as fake news correram soltas contra os adversários.

Uma boa amostra do que vem por aí é a mentira absurda que espalharam contra Luiz Inácio Lula da Silva, de que ele vai fechar templos caso seja eleito. Logo o petista, que foi apoiado por pastores evangélicos ao sancionar a Lei de Liberdade Religiosa e que criou o Dia Nacional da Marcha para Jesus.

Ao contrário do que aconteceu em 2018, porém, os militantes do PT estavam atentos e a imprensa também. Reportagem da jornalista Victoria Abel, na rádio CBN, detectou a disseminação das fake news sobre fechamento de templos e trouxe a farsa à luz.

Na matéria, o deputado e pastor da Assembleia de Deus Marco Feliciano (PL-SP) admite que tem espalhado essa mentira. “Falamos do risco de perseguição. Perseguição que pode culminar com o fechamento de igrejas”, disse ele à repórter.

Mais à frente, tenta escamotear o uso do verbo “fechar”, certamente para escapar a alguma possível punição: “Existem muitas formas de se fechar uma igreja. O governo pode fazer isso através de lei e impostos”.

Diante da forte reação, o deputado-pastor voltou a lançar em nota uma falsa acusação, dessa vez à imprensa, que, segundo ele, estaria ao lado de Lula.

Desrespeitosamente, chama o petista de “ex-presidiário” (é preciso saber se também se refere dessa forma ao presidente do seu partido, Valdemar Costa Neto, outro que esteve preso).

Nem mesmo uma criança vai ignorar que o objetivo da acusação mentirosa de ameaça do fechamento de igrejas é transformar o petista em inimigo dos evangélicos – algo que ele nunca foi – para tirar-lhe votos.

A partir de agora, lorotas desse tipo vão entupir os aplicativos de mensagens mais do que já estão entupindo. É preciso que alguma providência enérgica seja tomada para impedir que esse recurso ilegal desvirtue o processo eleitoral como aconteceu em 2018.

O principal responsável por estancar o tráfico de invencionices na campanha toma posse hoje.

Espera-se que, além da cara fechada e da economia de palavras, Alexandre de Moraes volte a justificar sua fama de durão pelas punições aos criminosos, como já fez de outras vezes.

O “xerife” do TSE sabe muito bem que no faroeste eleitoral essa é a única forma de mostrar aos bandoleiros que o Brasil não é uma terra sem lei.

 

Por Chico Alves/UOL
Foto:  Divulgação/Câmara dos Deputados; Roberto Casimiro/Estadão Conteúdo