Pesquisa Ipec (ex-Ibope) revela que a disputa pelo governo de São Paulo tornou-se uma janela aberta para o imprevisível. Somando-se os votos brancos e nulos (23%), os indecisos (16%) e os eleitores que optam por candidatos azarões (11%), chega-se a notáveis 50%. Juntos, o petista Fernando Haddad (29%), o bolsonarista Tarcisio de Freitas (12%) e o tucano Rodrigo Garcia (9%) somam os mesmos 50%.

O levantamento consolida a perspectiva de uma disputa em duas etapas. Na liderança, Haddad está com um pé no segundo turno. Tarcísio e Rodrigo, tecnicamente empatados, disputam a segunda vaga. Quem passar para o segundo round tende a atrair a maioria dos votos do outro e a preferência do eleitorado antipetista, que a campanha de Bolsonaro se esforça para despertar, sobretudo em São Paulo. Ali, segundo o Ipec, Lula ostenta uma dianteira inédita de 10 pontos percentuais na corrida presidencial.

Haddad chega à abertura oficial da campanha, nesta terça-feira, como o petista mais bem equipado para quebrar o histórico jejum do PT. O partido jamais venceu uma eleição para o governo de São Paulo. É beneficiado pela crise do PSDB, que ameaça a hegemonia de 28 anos de poder tucano no estado. Mas o Ipec reforça a percepção de que a eleição paulista não será um passeio petista. Longe disso. Confirmando-se a passagem de Haddad para o segundo turno, a disputa tende a ser encrespada, seja quem for o adversário.

Embora esteja tecnicamente empatado com Tarcísio de Freitas, Rodrigo Garcia está numericamente atrás do candidato de Bolsonaro. Má notícia para o ex-vice de João Doria, que cavalga a máquina do estado desde abril. O Ipec ouviu os eleitores sobre a avaliação do governo. O índice de aprovação da gestão de Rodrigo é mixuruca: 17%. O índice de desaprovação é de 23%. A maioria (47%) enxerga o governo como regular. Nas próximas semanas, deve aumentar o flerte do tucano com o bolsonarismo. Depois do Bolsodoria, vem aí o Bolsodrigo.

 

Por Josias de Souza/UOL
Foto: Reprodução